Quais as vantagens da exterogestação?


A grande vantagem da exterogestação é tornar a transição da gravidez para a vida do lactente mais tranquila — tanto para o bebê quanto para a mãe —, reduzindo o estresse da fase de recém-nascido e ajudando a aliviar as terríveis cólicas. Além disso, a técnica reforça a criação de um laço emocional forte entre o bebê e os pais e pode ter um impacto positivo em aspectos físicos e psicológicos da criança em médio e longo prazo.

A intenção da exterogestação não é recriar completamente o ambiente uterino fora do corpo da mãe — até porque isso seria impossível. No entanto, dentro das possibilidades reais, o ambiente uterino pode ser simulado em alguns momentos para que a criança passe por esse período de transição com mais segurança e os pais tenham mais tempo para se adaptar aos cuidados que são demandados.

Como isso é feito na prática?

É possível seguir os ensinamentos da teoria da exterogestação em diversos momentos da rotina do bebê.

A seguir, veja alguns exemplos:

Iluminação

Como dentro do útero não existe uma fonte de luz, após o nascimento do bebê os ambientes devem ser mantidos com luz baixa na maior parte do tempo. Além de não agredir os olhos da criança, isso pode deixá-la mais calma.

Sono

Nas primeiras semanas após o nascimento, dormir é a principal atividade realizada pela criança, embora não haja um padrão ou ritmo determinado. A exterogestação defende que é importante respeitar essa falta de horários e permitir que o bebê durma sempre que quiser, em um ambiente tranquilo e de baixa luz, com a presença dos pais por perto.

Há, inclusive, quem defenda que o bebê durma na cama com os pais durante os primeiros meses para aumentar o contato com a mãe. Este fato é bastante controverso, na medida que está comprovado por pesquisas, que o recém nascido não deve dormir na cama com os pais pelo risco de sufocamento do bebê (ao dormir, os pais podem rolar sobre o este acidentalmente).

Alimentação

O aleitamento materno exclusivo em livre demanda simula a conexão do bebê com a mãe por meio do cordão umbilical, que lhe fornecia uma fonte constante de nutrientes dia e noite. Da mesma forma, o seio materno se torna essa fonte após o nascimento até que o bebê entre em uma rotina alimentar que permita mamadas programadas e mais espaçadas.

Toque

O tato é um dos primeiros sentidos desenvolvidos pelo bebê e deve ser estimulado o máximo possível com beijos, carinhos, abraços, massagens e aconchegos. Por meio desse contato constante, a criança consegue sentir o coração dos pais batendo e se manter aquecida, o que traz segurança e tranquilidade.

Ruídos

Dentro do corpo materno, havia uma série de sons repetitivos e rítmicos que indicavam a presença da mãe. Após o nascimento, músicas suaves e similares aos que ele já estava acostumado agradam o bebê e oferecem uma nova fonte de estímulo.

Transporte

O ideal é que o bebê recém-nascido seja transportado bem coladinho à mãe com o uso do sling. Dessa forma, o bebê se movimenta junto com ela ao longo do dia e consegue ouvir sua voz e seus batimentos cardíacos o tempo todo, como se ainda estivesse dentro do útero.

Banho

Para simular o ambiente uterino durante o banho, é indicada a realização do banho de ofurô ou banho de balde. Naquele espaço apertadinho, cercado de água morna, a criança experimenta as mesmas sensações que tinha quando estava dentro da bolsa amniótica.


Fonte: Dra. Juliana Torres Alzuguir Snel Corrêa/ Atua como ginecologista obstetra há 12 anos.

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